DIA 1 - 13 de Março de 2020



Enquanto digerimos este primeiro dia (de digestão difícil, demorada), valham-nos as amigas. Trocamos vídeos estúpidos, a que respondemos com emojis a chorar de rir, mandamos imagens do que estamos a fazer (comidas, exercício, locais ao ar livre sem ninguém...), comentamos as últimas notícias. E rimos, rimos mesmo a sério. A São foi apanhada a rir por uma vizinha ao regressar a casa e foi-lhe difícil explicar a razão de tanta alegria. É fácil: com humor e amizade (aqui podemos falar de amor, mesmo) fica tudo muito mais fácil. Além de que reforça o sistema imunitário!
Entretanto, não levamos nada disto levianamente. Não estamos em contacto com ninguém, ninguém mesmo. Tirando o Manel que ontem conseguiu papel higiénico para a São e lhe telefonou a dizer:
- Olá, já podes cagar à vontade! - e lho levou a casa.
Não, estamos a levar isto mesmo a sério. As notícias preocupam-nos e a incerteza é tramada. Mas, caramba, estamos a dar um excelente exemplo e entre risos e gargalhadas não perdemos a noção da gravidade da situação. 
Como disse o Miguel, ao atender o telefone:
- Agora não posso, estou de quarentona!
Assim é.

Comentários

  1. Oficialmente de quarentena.
    «O que preciso que não tenha em casa e me permita evitar supermercados algum tempo?», eis a questão e lá fui eu às compras – comida para nós e para a Cacau (a cadela), detergentes, papel higiénico,…
    Poucas pessoas de máscara, mas muitos carros de supermercado cheios.
    Dei por mim com um ataque de riso no corredor do papel higiénico: prateleiras vazias, só alguns espécimes raros como papel higiénico preto e a preço de ouro. «Era o que mais faltava!», exclamei e não comprei. Algumas pessoas, igualmente estupefactas, riram-se comigo.
    Observei as pessoas…
    Umas normalíssimas, apostando na sorte e no que «tiver de ser». Algumas tentavam manter distância, com movimentos precisos de quem evita contato. Outras com olhar desconfiado, com o medo a ressaltar-lhes nos gestos.
    Voltei para casa… confesso, incomodada.
    Apercebi-me de que, lá no fundo, estou deveras apreensiva. Medo essencialmente pelos que amo e são grupo de risco.
    Mas depois… Ri durante todo o dia! As raparigas remeteram-me o nervosismo para o riso.
    Ao fim do dia, quando fui passear a cadela, face à interpelação crítica de outros que se cruzaram comigo nas escadas do prédio e que me ouviram rir todo o dia, respondi «Queres que chore? Sim, sei o número de pessoas infetadas e estou consciente e apreensiva com a gravidade da situação. Mas antes rir que chorar.» Rir faz bem ao sistema imunitário – quero viver com alegria. Quarentena consciente, sim… mas é melhor enfrentar a coisa a rir que a chorar: consciente com «alegria».
    Bem… nota verdadeiramente positiva do dia: recebi um telefonema esplendoroso! «Está?», «Olá, São! Já podes cagar à vontade! Arranjei-te papel higiénico!». Manuel Portugal no seu melhor! O meu herói do dia… Ah, ah, ah… ah, ah, ah!!!
    Hoje até me doem os abdominais de tanto rir… Deveria ter vergonha?! Sou inconsciente?! Tretas moralistas e hipócritas! Chama-se é inteligência emocional, resiliência ou outra coisa qualquer… São beijos digitais.
    Obrigada, Amigas, por me fazerem rir!

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