DIA 2 - 14 de Março de 2020

Hoje a Sílvia faz anos. Cada uma foi acordando ao seu ritmo (há quem acorde a horas indecentes, como 7 da manhã, e resolva ir com o filho ver como se está na rua) e desejando feliz aniversário. Desejando de todo o coração. Dizer "Parabéns" à Sílvia toma, hoje, outras proporções. Não que o amor com que o fazemos não seja o mesmo de sempre, mas desta vez desejamos saúde mais que nunca. Desejamos que o celebre com toda a alegria que sabemos ser-lhe inerente. No fundo, ao desejarmos feliz aniversário à Sílvia, estamos a fazê-lo a todas nós, a desejar que, quando tudo isto acabar, possamos ir juntas beber uns valentes copos (que devemos ainda à São) e dizer disparates pela noite fora.

O dia já vai a mais de meio e foi fácil. Muitas de nós fizeram scones, cujas fotos partilhámos. A Sol foi ver o mar na Murtinheira e quando voltou fez panquecas com água porque não tem leite. A Vanda teve que esquecer os scones porque teve ordens para ligar aos pais dos alunos, e na garagem do prédio dela estavam todos os carros menos o do pediatra. Fizemos ginástica, passeamos a pé, trinta por uma linha. Com um sorriso e sempre, mas sempre na risota.

Eu fiz, para o grupo Angola (meus amigos e família) no WhatsApp, uma crónica da minha ida à rua de manhã, para que percebam melhor o que vivemos e, talvez, ajudá-los a prepararem-se:

"Crónica de uma ida à rua para apanhar ar e andar de bicicleta : coloquei na bolsa um pacote de lenços de papel, chaves, álcool e telemóvel. Saímos da porta de casa para o elevador, já com um lenço cada uma a tapar a boca e o nariz. Abrimos a porta do elevador com o cotovelo, entramos e carreguei no botão com a ponta de uma chave. Fomos de olhos fechados até chegar ao r/c. Abrimos a porta do elevador com as costas, e saímos para o jardim. Deitamos fora os lenços e desinfectamos as mãos. Rodeadas de árvores e flores, e sem ninguém a vista, respiramos fundo, relaxamos e fomos dar uma volta de bicicleta. Soube muito bem, está um dia lindo e quente. Tiramos uma foto para o diário que estamos a fazer online com amigos. Quando regressamos, os mesmos procedimentos dentro do prédio. Entramos em casa, largamos tudo e fomos desinfectar as mãos. Desinfectei também o telemóvel, para poder vir escrever esta crónica.
Beijinhos a todos"

Neste nosso passeio de manhã, fomos de bicicleta até ao café aqui perto, para ver como estava. Confesso que esperava vê-lo vazio, mas encontrámos a esplanada meio cheia, com pessoas em mesas muito próximas, e algumas lá dentro. Já muito se escreveu sobre este tipo de atitudes, não vou fazê-lo. Demos meia volta e regressamos para perto de casa, não sem a sensação de que, um dia destes, teremos que ser polícias uns dos outros.

A Sara não pode estar com o Manel. Não aceitámos o convite para ela ir almoçar com a avó.

Daqui a pouco cantamos os parabéns à Sílvia. Vou ali beber um sumo de limão para afinar a voz.

Comentários

  1. Ponto alto do dia: comemoraremos os anos da Sílvia por vídeo chamada em exílio domiciliário!

    Hoje estou a aperceber-me de que a minha rotina diária é marcada pelo fluxo de trânsito na avenida. Da vista da janela para o mundo, sente-se que a vida está suspensa pelo ínfimo número de carros que circulam. Sinto um nó na garganta, tal caroço de liberdade agrilhoada.

    Cá em casa reina o silêncio do sono dos justos do resto da família… vou mas é passear a cadela até vocês «acordarem» e me fazerem rir!

    Meninas: em isolamento, valha-nos este amor que circula digitalmente e se extravasa na capacidade do rir «em tempos de cólera»! Há que tenha «Deus»… eu tenho-vos a vocês!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

DIA 1 - 13 de Março de 2020