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A mostrar mensagens de 2020
Dia 7 Bemm... hoje é o sétimo dia de ... clausura! O non-sense já nos foge para os gestos... barramos o pão com iogurte, queremos amordaçar filhos, enviar maridos para a conchichina... estamos a ficar DOIDAS VARRIDAS! Trocamos receitas e cozinhamos coisas novas numa necessidade estranha de inovar algo num quotidiano diferente... mas porquê este súbito incómodo com as habituais refeições?! Deve ser algo subliminar, vontade de nos transcendermos a nós próprias ao sentirmo-nos presas.  Comemos que nem desalmadas em comportamento aditivo compensador de falta de liberdade... vamos ficar GORDAS QUE NEM TECHUGOS! E o vinho... ai, o vinho... valha-nos o bendito vinho! É realmente o néctar dos deuses - escorre tépido pela garganta abaixo, aquece-nos o corpo e o coração, solta-nos a gargalhada…vamos todas ficar BÊBEDAS!   Ou seja… o mote de clausura neste grupo de quarentonas, refletindo após seis dias de isolamento preventivo, com os contributos da prática quotidian...
Dia 5 Hoje li o que escrevi ontem e pensei: «Tem vergonha na cara! Pensa nos outros pelo mundo fora...»
Dia 4 Manhã e descubro que o meu pai, de 81 anos, afinal, tem a arca vazia de peixe e carne – vou ao meu supermercado habitual e dou com ele fechado. Estranheza – é a sensação imediata. Desorientação, a que me assola em seguida. Continuo, procurando alternativas. Pequeno talho e pequena peixaria lado a lado – só entra uma pessoa de cada vez, não podemos tocar em nada, os operadores estão com dois pares de luvas e máscaras e não tocam no nosso cartão multibanco. O cuidado extremo impressiona, no sentido de «marcar», de «afetar», de «abalar»… é «pathos», penso… Com dois sacos carregados, vou para casa do meu pai, retiro tudo dos sacos originais que deito para o saco do lixo a levar embora já de seguida, lavo energicamente as mãos e desinfeto-as, embalo novamente em sacos de congelação e congelo. No fim, lavo os balcões usados com detergente que elimina 99% de bactérias (- placebo...-) e torno a esfregar vigorosamente as mãos. Sou   um autómato executando gestos ...

DIA 3 - 15 de Março de 2020

Dia 3 Amanhecer horroroso… hoje não há sol!  Vai ser um dia horrível: enfiados em casa sem LUZ! «Ah, ah, ah», mal pego no telemóvel:   já chegou «o raio de sol em dia de chuva»! «O problema existencial deixou de ser o papel higiénico: unhas, buço e máscaras de cabelo na ordem do dia!»,   digo eu a gozar com Elas, como comentário no nosso WhatsApp. «Problemas sérios! Fechadas em casa mas lindas!!!», responde a Ana. «Nem mais…senão, daqui a um mês, parecemos trogloditas!», acrescenta a Xana. Ah, ah, ah,... «Começou?», pergunta o Pedro a subir as escadas estremunhado. «Graças a Deus!», responde a agnóstica levantando as mãos ao céu! Futilidades de quem costuma ser dos primeiros a ir para a rua para se manifestarem por coisas importantes e globais: isto é que é SER!  A «estética» da coisa ampara a «ética» da situação/ação! «Ficaremos fechadas em casa pelo tempo que for preciso!» - dizemos umas às outras…   Como dizia o outr...

DIA 2 - 14 de Março de 2020

Hoje a Sílvia faz anos. Cada uma foi acordando ao seu ritmo (há quem acorde a horas indecentes, como 7 da manhã, e resolva ir com o filho ver como se está na rua) e desejando feliz aniversário. Desejando de todo o coração. Dizer "Parabéns" à Sílvia toma, hoje, outras proporções. Não que o amor com que o fazemos não seja o mesmo de sempre, mas desta vez desejamos saúde mais que nunca. Desejamos que o celebre com toda a alegria que sabemos ser-lhe inerente. No fundo, ao desejarmos feliz aniversário à Sílvia, estamos a fazê-lo a todas nós, a desejar que, quando tudo isto acabar, possamos ir juntas beber uns valentes copos (que devemos ainda à São) e dizer disparates pela noite fora. O dia já vai a mais de meio e foi fácil. Muitas de nós fizeram scones, cujas fotos partilhámos. A Sol foi ver o mar na Murtinheira e quando voltou fez panquecas com água porque não tem leite. A Vanda teve que esquecer os scones porque teve ordens para ligar aos pais dos alunos, e na garagem do préd...

DIA 1 - 13 de Março de 2020

Enquanto digerimos este primeiro dia (de digestão difícil, demorada), valham-nos as amigas. Trocamos vídeos estúpidos, a que respondemos com emojis a chorar de rir, mandamos imagens do que estamos a fazer (comidas, exercício, locais ao ar livre sem ninguém...), comentamos as últimas notícias. E rimos, rimos mesmo a sério. A São foi apanhada a rir por uma vizinha ao regressar a casa e foi-lhe difícil explicar a razão de tanta alegria. É fácil: com humor e amizade (aqui podemos falar de amor, mesmo) fica tudo muito mais fácil. Além de que reforça o sistema imunitário! Entretanto, não levamos nada disto levianamente. Não estamos em contacto com ninguém, ninguém mesmo. Tirando o Manel que ontem conseguiu papel higiénico para a São e lhe telefonou a dizer: - Olá, já podes cagar à vontade! - e lho levou a casa. Não, estamos a levar isto mesmo a sério. As notícias preocupam-nos e a incerteza é tramada. Mas, caramba, estamos a dar um excelente exemplo e entre risos e gargalhadas não...